Pagode do Trem

            Em 1996, incentivado por Dungo, filho já falecido de Tia Doca que não participara do evento em 1991 e que tinha feito um samba para versar Vem vem vem viajar com o pagode do trem . . ., Marquinhos de Oswaldo Cruz retoma o Pagode do Trem, que foi realizado no Dia Nacional do Samba e contou com a participação de sambistas do subúrbio carioca, como Renatinho Partideiro, portelense de Pilares, e Ivan Milanez, imperiano com raízes no Morro da Serrinha. Nesse mesmo ano, a comida ficou sob a responsabilidade de Tia Doca e a cerveja era servida no bar do Fininho.

 

É importante esclarecer que o dia 2 de dezembro é o Dia Nacional do Samba desde 1962, mas o Pagode do Trem passa a ser realizado anualmente neste dia somente a partir de 1996.

 

A alegria dos sambistas era geral e nem o fato de só terem enchido um vagão de uma composição inteira foi motivo de desânimo. Todos foram tocando e cantando sambas durante a viagem, que seguiu sem paradas da Central do Brasil até Oswaldo Cruz, onde a festa continuou. Chegando no bairro, ainda foi feita uma homenagem a Candeia, com a entrega de uma placa à viúva dele, dona Leonilda.

 

Assim como no ano anterior, em 1997 o evento contou com uma cobertura incipiente dos meios de comunicação. Porém, a expectativa em torno do Trem do Samba já era maior em virtude do sucesso de 96 e o “boca-a-boca” fez com que se conseguisse encher três vagões. O Pagode dava sinais claros de crescimento. No ano seguinte, a comida e a cerveja já não dariam para tanta gente.

 

O Pagode de 1998 poderia ter significado um retrocesso em relação aos anos anteriores, porque a privatização da Flumitrens – hoje SuperVia - prejudicou de tal forma as negociações, que não houve tempo hábil e entendimento (por motivos de mudança de diretoria) para reservar um trem especial para o evento. E algo curioso aconteceu. Guardadas as proporções, o evento ocorreu de forma semelhante àquela dos anos 20. Viajar em trem comum possibilitou uma interação maior com a população usuária desse meio de transporte, que não era necessariamente sambista. Havia grupos de samba em cada vagão e a receptividade dos passageiros com o inusitado foi tal que muitos deles adiaram o retorno para casa e curtiram a festa, que teve a participação da cantora Beth Carvalho.

 


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Pesquisa e criação de texto: Vanderson Lopes

Revisão ortográfica: Fabrício Soares