Um Momento Emocionante

 

  É sabido que Paulo da Portela e Cartola eram grandes amigos. Pelo que é narrado em Paulo da Portela – Traço de união entre duas culturas, sobre o episódio em que Paulo tenta o seu retorno à Portela, é possível ter noção dessa amizade: “Cartola subiu numa mesa e fez um discurso, explicando a importância de Paulo para a escola, a ingratidão que lhe estavam fazendo, pedindo a todos a compreensão e calma.”           

 

Como mais uma comprovação dessa relação entre eles, há uma música que Cartola fez para Paulo quando da sua saída da Portela em 1941:

 

“Aqui se abraça um inimigo

Como se fosse um irmão”

(Trecho da música “Sala de Recepção”, de Cartola)

 

            E pensar que justamente essa amizade seria o mote de um dos momentos mais emocionantes do Pagode do Trem, segundo Marquinhos. Por sugestão de sua esposa Denise, na edição de 1999 o trem pára em Mangueira. Nos anos anteriores, sempre que o trem passava na Estação Primeira os sambistas já cantavam sambas em homenagem à escola. Porém, o ineditismo de colorir o trem de azul, branco, verde e rosa coube ao ano de 1999.

 

            O sambistas portelenses já eram aguardados pela Velha Guarda verde-e-rosa, por Xangô, Tantinho e outros. Ao longe os mangueirenses entram no trem, foi impossível controlar a emoção. Todos se abraçaram, choraram e comemoraram o grande dia. Afinal, era um dia de consagração.

 

            Era impensável que mais algum fato emocionante pudesse acontecer ainda naquele dia. Tudo já estava tão bom! No entanto, algo os aguardava na décima-sexta estação. A chegada do trem a Oswaldo Cruz foi anunciada por uma chuva de fogos colocados pela Portela e um grande número de pessoas aclamou os sambistas.

 


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Pesquisa e criação de texto: Vanderson Lopes

Revisão ortográfica: Fabrício Soares